Espaço para discussão e formação de Educadores Sociais. Solicitação de inclusão pelo e-mail: educadorsocialfundhas@gmail.com
terça-feira, 28 de junho de 2011
Para aluno, professor vê homossexualismo como promiscuidade
É o que mostram estudos como a pesquisa feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, que, no ano de 2009, ouviu 18,5 mil alunos, pais, diretores, professores e funcionários de colégios no país. Intitulado Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar, o documento mostrou que 87,3% da comunidade educacional apresenta preconceito homossexual.
Estudante de 17 anos, Paulo Henrique Cânara confirma essa realidade. O aluno de uma escola pública de Campinas, em São Paulo, assumiu sua orientação sexual no ano passado. Segundo ele, foi muito bem aceito pela mãe, mas encontrou dificuldades na escola. "Alguns meninos já tentaram me agredir por eu ser gay, mas minhas amigas me defenderam", conta. Paulo Henrique ainda explica que a discriminação não ocorre somente por parte dos colegas. "Já sofri preconceito de professores também. Eles são muito mal informados e veem a homossexualidade e a bissexualidade como algo promíscuo".
Outro estudo, Revelando Tramas, Descobrindo Segredos: Violência e Convivência nas Escolas, publicado pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana, também confirma esta realidade. Fazendo uso de uma amostra de 10 mil estudantes e 1.500 professores do Distrito Federal, o documento mostrou que 63,1% dos entrevistados alegaram já ter visto homossexuais sofrerem preconceito e mais da metade dos professores afirmam já ter presenciado cenas discriminatórias. Além disso, 44,4% dos meninos e 15% das meninas afirmaram que não gostariam de ter um colega homossexual na sala de aula.
A hostilidade em algumas escolas é tão grande que obriga estudantes gays a deixarem a instituição. Rafael*, 15 anos, teve que trocar de colégio no início deste ano. O estudante do 1º ano do Ensino Médio de uma escola particular de São Paulo conta que se sentia diferente em relação aos amigos desde criança, mas até então, não tinha se assumido para os amigos, somente para seus pais, havia pouco tempo. Porém, um vídeo seu beijando outro menino foi parar no YouTube durante as férias escolares. "No primeiro dia de aula deste ano, entraram na minha sala e me jogaram purpurina. Fui vítima de bullying diário. Inclusive me proibiram de entrar no banheiro masculino. Preferi trocar de escola", conta.
Foi com o objetivo de mudar essa realidade e diminuir a homofobia nas escolas que o Ministério da Educação (MEC) propôs o "Kit Gay", como ficou conhecido o projeto contra o preconceito sexual voltada para escolas públicas do país. Contudo, a presidente Dilma Rousseff suspendeu-o por considerar os filmes da campanha inadequados. Para Lula Ramires, mestre em Educação pela USP que colaborou com a elaboração do projeto Escola Sem Homofobia do MEC, a decisão foi um retrocesso. "O grande temor da parcela tradicionalmente conservadora e moralista da sociedade é que, ao tratar da diversidade sexual na escola, estaremos incitando ou ¿fazendo a cabeça' de nossas alunas e alunos", afirma.
Para Ramires, a campanha proposta pelo MEC visa somente a informar para que o preconceito seja diminuído e para que estudantes homossexuais não frequentem um ambiente hostil de aprendizado. Em sua tese de mestrado pela USP, o educador entrevistou oito jovens homossexuais que narraram sua trajetória acadêmica. Todos definiram a escola como um verdadeiro "inferno". "Eles sofreram muita violência verbal e física. Um deles, inclusive, teve o braço quebrado pelos colegas", conta.
O também coordenador da associação Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade e Amor (CORSA) afirma que o material do ministério tinha outro papel fundamental: universalizar a abordagem do tema nas escolas. "Muitos educadores gostariam de tratar essa temática em sala de aula e não sabem como", diz. Desde 2001, o CORSA realiza projetos de educação continuada para docentes da rede pública, voltados à temática da diversidade sexual na escola.
"Sempre optamos por fazer o trabalho diretamente com educadores, que são multiplicadores naturais: lidam a cada ano com centenas de alunos diferentes", explica. Ramires conta que a reação geral sempre foi muito receptiva. "Na maioria das vezes, os profissionais diziam se ressentir de não ter maior informação sobre o tema, seja na licenciatura que cursaram na faculdade, seja nas formações oferecidas pelas redes de ensino".
Ainda segundo Ramires, a maioria das instituições de ensino opta por não falar sobre homofobia, e o que se vê hoje em dia são ações isoladas de alguns educadores. O professor de história José Carlos Rocha Vieira Júnior, de uma escola pública de Campinas (SP), é um exemplo de quem luta pelo fim da homofobia nas escolas sozinho. Todos os anos, Vieira Júnior distribui para seus alunos uma apostila intitulada Homofobia? Tô fora!, na qual aborda aspectos de diversidade sexual e explica a legislação da Constituição Federal que defende a diversidade acima de tudo. Além disso, o professor também promove, anualmente, uma palestra na escola, na qual profissionais convidados falam com os alunos sobre homossexualidade. Apesar de ter recebido aval da direção do colégio para realizar os dois projetos, Vieira Júnior conta que nunca recebeu apoio dos outros professores.
"Desenvolvo isso em minha escola desde 2004 e nenhum professor de outro período quis abraçar esse projeto que é extremamente simples, direto e que funciona. Professor que não combate qualquer tipo de preconceito não é professor", fala.
Campanhas isoladas também partem dos próprios alunos. O estudante Paulo Henrique conta que passou a sofrer menos com o preconceito quando entendeu a legislação do Brasil sobre diversidade sexual. Para ele, se todos os estudantes fossem bem informados sobre a homossexualidade e a bissexualidade, além da homofobia diminuir, os alunos gays passariam a sofrer menos com "brincadeiras de mau gosto". Por isso, o aluno já propôs uma série de palestras sobre a temática na sua escola e a criação de um grupo de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis (LGBT). "A direção do meu colégio já aprovou, e eu devo começar o projeto no próximo semestre", conta.
Preconceito varia conforme nível de escolaridade, aponta estudoLançado em junho deste ano, um estudo realizado pela Fundação Perseu Abramo, em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo Stiftung (RLS), em 150 municípios brasileiros em todas as regiões do País, mostra que a escolaridade é um fator determinante contra o preconceito homossexual.
O estudo tinha como objetivo analisar o comportamento de pessoas com tendências homofóbicas. Realizado entre 2008 e 2009, com 2.014 pessoas, a pesquisa avaliou as diferenças de preconceito entre as regiões, idade da população, renda, religião, entre outras. Nenhuma das variáveis apresentou diferença tão drástica quanto a escolaridade.
De acordo com os dados, enquanto metade dos brasileiros que nunca frequentaram a escola assumem comportamentos homofóbicos, apenas um em cada dez brasileiros que cursaram o ensino superior sentem preconceito por homossexuais.
Para o sociólogo e coordenador da pesquisa, Gustavo Venturi, os resultados mostram que o principal ambiente para combater a homofobia são as instituições de ensino. "O primeiro meio de socialização de uma pessoa é na família, mas ali o Estado não pode intervir. Então, se um pai criar seu filho com tendências homofóbicas vai ser somente na escola - segundo meio de socialização de uma criança - que ele poderá mudar de comportamento. É nos colégios que o Estado deve criar políticas públicas para combater comportamentos preconceituosos", afirma.
Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
Um arco-íris de cores e gêneros em uma escola
São Paulo, Brasil, 27/6/2011 – Há três anos não ocorre gravidez precoce entre as adolescentes que frequentam a Casa do Zezinho, um centro educacional e cultural que acolhe 1.500 crianças e jovens pobres que vivem em favelas da zona Sul de São Paulo. Uma dramatização radical nos painéis de educação sexual ajudou a prevenir esse fator de deserção escolar e a alimentação da pobreza. Há três anos, formou-se um grupo de casais de “grávidos”, com elas e eles tendo de carregar próteses de plástico simulando uma barriga em crescimento.
Mario Osava /IPS
Meninos e meninas aprendem a arte do mosaico na Casa do Zezinho.Enquanto estavam grávidos, os casais, com idades entre 15 e 20 anos, tinham de se privar de atividades que normalmente as gestantes evitam, como jogar futebol, algo muito frustrante para os “grávidos”. Tampouco podiam nadar na piscina que integra os 3.200 metros quadrados de construção da Casa do Zezinho, ou praticar outros esportes.
“Podiam apenas praticar ioga”, conta, divertida, à IPS Dagmar Garroux, fundadora e presidente da instituição, a quem todos chamam de tia Dag. Depois de nove meses, os adolescentes ficaram livres do grande volume ventral, mas, então, tiveram que cuidar do bebê, um boneco de papel machê feito por eles mesmos. Amamentá-lo, dar banho, trocar fraldas… Todas as tarefas de uma jovem mãe. Continuaram sem poder ir a bailes e festas na instituição, como acontece com as adolescentes das favelas, disse Dagmar. Com essas e outras iniciativas criativas “rompeu-se o ciclo da gravidez precoce” e se estimulou o uso de preservativos, acrescentou.
São numerosas e variadas as atividades dessa organização não governamental, com sede em um pequeno bairro de classe média encravado entre as favelas de Capão Redondo, Jardim Ângela e Santo Antonio, conhecidas por sua violência e que integram uma subprefeitura com mais de meio milhão de habitantes. A gravidez precoce nesse local se converte em uma forma de afirmação para muitas adolescentes oprimidas e sem oportunidades, e é comum nesses bairros um elevado índice de mulheres que cuidam sozinhas de suas famílias, a violência sexista, baixa escolaridade e criminalidade vinculada ao tráfico de drogas.
Entre 2000 e 2009, o Brasil reduziu em 34,6% a gravidez precoce, quando passavam de 444 mil. Mas os partos de moças entre dez e 19 anos ainda representam um quinto do total no país, segundo o Ministério da Saúde. Dagmar chegou ao lugar para viver e trabalhar quando era uma pedagoga descontente com o ensino convencional, “tonto, parado no Século 19”, que a fez mudar de escola “a cada três meses”, e em 1994 criou a Casa do Zezinho.
Ela promove o que chama de Pedagogia do Arco-Íris, que rege as atividades, destinadas a estudantes das favelas vizinhas, e se fundamenta no tratamento igual a todos, sem distinção de gêneros e entre os que aprendem e os que ensinam, seguindo a linha de que educar é amar e compartilhar. No dia em que a IPS esteve no local os educadores ressaltaram que não fazem diferença entre meninos e meninas, nem medem o aproveitamento por gênero, já que sua meta é reforçar sua autonomia e personalidade, algo revolucionário em uma comunidade onde vivem muitos pais para os quais “é uma perda de tempo” suas filhas se educarem.
Dagmar teve de convencer muitas mães de que somente com o estudo suas filhas teriam vida melhor do que elas e oportunidades iguais às dos homens, embora depois comente que não são tão iguais, em um país com estereótipos sexistas intensos. “Mas a oportunidade de sair do ciclo de violência, submissão e empobrecimento será muito maior para elas”, destacou Tia Dag, que se tornou especialista em distinguir os sinais de violência ou abusos sexuais das meninas e que, junto com sua equipe e assistentes sociais, promove soluções e terapia para agressores e agredidos.
Na escola informal há 1.200 jovens de seis a 21 anos, aos quais se somam 300 “jovens adultos” que frequentem cursos noturnos. Outros dois mil candidatos aguardam por uma vaga na instituição, onde um dos requisitos é que os escolhidos também estudem em uma escola regular. “Aguçar os cinco sentidos” é uma das bases da pedagogia de Dagmar, porque “sem todos os sentidos aguçados não se educa”, explica. Por isso, artes, esportes, cozinha, junto com muito afeto, são prioridades na Casa do Zezinho. “Sem arte também não se educa, apenas se forma tecnocratas”, ressaltou.
Os estudantes se dividem em sete séries, cada uma identificada por uma cor do arco-íris. As crianças de seis a oito anos começam na Sala Violeta e avançam para às salas Jeans, Mares e outras, conforme crescem, concluindo na Sala Coração, para idades entre 16 e 21 anos. Os cursos noturnos permitem continuar na Casa depois. Muitos voltam ou ficam na instituição como monitores, educadores ou funcionários. Dos que trabalham no local, 60% são “ex-vizinhos”, explicou Dagmar. Um deles é Agenor Mendes, responsável pelo setor de artes. Morador em Santo Antonio, entrou na Casa em 1999, com 14 anos, saiu em 2004 e voltou a ela em 2009, como educador.
Formado em artes visuais e com trabalhos em fotografia artística, tem versatilidade para orientar crianças e adolescentes em pintura, desenho, tapeçaria e uma grande variedade de artes. “Fazemos reciclagem, a obra se define pelo material disponível, sejam retalhos de tecido, madeira ou revistas velhas”, disse à IPS. O curso de mosaico reúne muitos adolescentes em outra sala. Na música, a instituição dispõe de uma orquestra que se apresenta nas favelas vizinhas e teatros distantes, e conta com um estúdio de gravação. “Músicos formados aqui ensinam em outros projetos e na Universidade Livre de Música ou tocam em orquestras”, contou Dagmar.
Capoeira, dança, teatro, aula de informática, cozinha ou horticultura agitam crianças e adolescentes pelo prédio de três andares, de salas irregulares, corredores e escadas nada assimétricos, que se expandiu de maneira improvisada, aos poucos. O alvoroço de centenas de pessoas em várias atividades ocorre em um clima distante das tensões “Não temos professores, mas mediadores”, definiu Dagmar, para explicar as relações horizontais entre todos. A igualdade de gênero é prática permanente, assegurou.
Os rapazes aprendem desde crianças a tricotar manualmente e participam em grupos de dança, enquanto os homossexuais não sofrem discriminação. Um travesti frequenta normalmente as atividades da instituição, citou como exemplo. Graças à instituição, as próprias jovens estão assumindo publicamente sua homossexualidade, algo ainda difícil em seu contexto de vida, segundo o jornalista Saulo Garroux, que aderiu integralmente ao projeto de Dagmar, sua mulher. Trata-se de uma organização de referência em sua área de atuação, muito respeitada, afirmou Andrea Cruz, psicóloga do Instituto Herdeiros do Futuro, que ajuda vítimas da violência nas favelas da região. Envolverde/IPS(IPS)
Solicitação de Bolsa de Estudo para 2º sem / 2011 - de 14 a 22/7/2011
É imprescindível que o próprio funcionário entregue o processo com a documentação completa no Serviço Social da Seção Saúde e Benefícios até a data limite citada acima, lembrando que o setor atende das 7h30 às 15h30.Estamos à disposição para sanar dúvidas.Atenciosamente, Agnylze e SandraComissão de Bolsa de Estudos
***Sugerimos a leitura do Programa de Bolsa de Estudo, no Site da Qualidade, em virtude das alterações recentes***
quinta-feira, 23 de junho de 2011
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Fundhas abre inscrições para processo seletivo de docentes
Inscrições começam nesta segunda (13) para processo seletivo com vagas para professores licenciados em diversas disciplinas
Dos dias 13 a 17 de junho, das 08h00 às 11h30 e das 13h00 às 16h30, a Fundhas (Fundação Hélio Augusto de Souza) estará com inscrições abertas para o processo seletivo para professores licenciados em pedagogia, ciências físicas e biológicas ou ciências (habilitação em biologia), geografia, história, educação artística ou artes, matemática, educação física e letras para lecionar no projeto EFETI (Escola de Formação em Tempo Integral) Álvaro Gonçalves, Moacyr Benedicto de Souza e Rosa Tomita.
Os salários variam entre R$ 1.574,37 e R$ 2.001,04 pela jornada de no mínimo 200 horas/aula e no máximo 220 horas/aula mensais.
Os interessados poderão se inscrever na Sede da Fundhas, situada à rua Santarém, 560 – Pq. Industrial, apresentando obrigatoriamente a cópia do documento de identidade, currículo, cópia do diploma e histórico escolar, cópia de documentos que comprovem a formação indicada no currículo, carta de intenção manuscrita, justificando o seu interesse pelo projeto e foto 3x4 recente.
O processo seletivo será feito em duas etapas: a primeira constituída pela análise do currículo e avaliação da carta de intenção do candidato e a segunda etapa, feita por candidatos pré-selecionados na etapa anterior, será formada por uma produção escrita seguida por uma entrevista. A contratação será feita por tempo determinado.
Informações completas, no edital disponível no site: www.fundhas.org.br
Sobre as EFETI’s
Uma parceria entre Secretaria da Educação e Fundhas, é um projeto de educação em tempo integral que visa diversificar o currículo do ensino fundamental com ações inovadoras em múltiplos espaços educativos, por meio da ampliação da carga horária escolar.
A Fundhas é uma instituição sem fins lucrativos, mantida pela Prefeitura de São José dos Campos que atende crianças e adolescentes, de 7 a 18 anos, em diversas unidades regionalizadas.domingo, 5 de junho de 2011
Juventude e Emprego: Educar para qual Trabalho?
Local: Centro de Convenções da UNICAMP SOBRE O EVENTO ObjetivosO objetivo geral deste fórum é discutir as transformações ocorridas na sociedade brasileira, de forma particular nas (inter)relações estabelecidas entre os campos do trabalho, da educação e da(s) juventude(s). Para tanto, propomos ampliar o debate quanto:
Além disso, pretende-se proporcionar, através da exposição de livros no local, o conhecimento daqueles que se relacionam com o tema do fórum, aproximando os participantes dos autores. MANHÃ 9h – Abertura OficialEdgar Salvadori De Decca – Coordenador Geral da Unicamp 9h30 às 10h30 – Mesa Redonda: Jovens, mercado de trabalho e educaçãoCoordenação: Neusa Maria Mendes de Gusmão (Antropóloga, Professora Titular, Gepedisc / Decise / FE / Unicamp) 10h30 às 11h – Intervalo para caféRoda de autógrafos com os autores de livros relacionados à temática do fórum 11h às 12h30 – DebateDebatedoras: Discussão com plenária12h30 às 14h – AlmoçoTARDE 14h às 17h – Mesa Redonda: Políticas, trabalho e educaçãoCoordenação: Ana Lúcia Goulart de Faria (Pedagoga, Professora Doutora, Gepedisc / Decise / FE / Unicamp) Discussão com plenária17h – EncerramentoGrupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação e Diferenciação Sociocultural (Gepedisc), Departamento de Ciências Sociais na Educação (Decise) Faculdade de Educação, Unicamp ALB – Associação de Leitura do Brasil RAC – Rede Anhanguera de Comunicação
INSCRIÇÕES ABERTAS |
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Inscrições para 3º Congresso Ibero-Americano de Pedagogia Social

quinta-feira, 19 de maio de 2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Fundhas completa 24 anos com sucesso de seus alunos
Crianças e adolescentes que passaram pela fundação conseguiram prosperar e hoje têm boas histórias para contar
Beatriz Rosa
São José dos Campos
Há 24 anos, crianças e adolescentes da periferia de São José trilham novos caminhos com a ajuda da Fundhas (Fundação Helio Augusto de Souza) criada em 1987 pelo ex-prefeito Hélio Augusto.
Engraxates descobriram um novo mundo como pesquisadores, office-boys viraram empresários e doceiras se tornaram professoras, retribuindo à comunidade a assistência recebida.
Em 24 anos, 32 mil crianças e adolescentes foram atendidos pela fundação. Neste período, a maior lição da instituição é que a educação sempre cria novas oportunidades para traçar um novo futuro.
Oportunidade. O presidente da Câmara de São José, Juvenil Silvério (PSDB), atribui sua ascensão social ao fato de ter frequentado os programas sociais do antigo Cosemt (Centro de Orientação Sócio-Educativa do Menor Trabalhador), que deu origem à Fundhas.
“Comecei aos sete anos com engraxate, mas a Fundhas me deu a oportunidade de crescer. Com disciplina e respeito fui indicado como aprendiz no Inpe, onde fiz carreira na montagem de satélites. Lá, conheci Emanuel Fernandes que me inspirou a entrar na vida pública.”
Hoje como presidente da Câmara, Silvério ampliou o número de aprendizes da Fundhas na Câmara. “Eu valorizo a história de cada um desses meninos e digo a eles o tempo todo para aproveitar as oportunidades.”
Como ele, o vereador Jairo Santos (sem partido) também passou pelo antigo Cosemt. “Trabalhei como engraxate, gari e office-boy. Eu torcia para não ventar quando eu estava trabalhando porque dava vontade de empinar pipa. Na Fundhas, a gente aprende a ter responsabilidade desde cedo.”
Aprendiz. De aprendiz do setor financeiro para dono do próprio negócio. Esta é a história de Alexandre Luciano dos Santos, 27 anos.
Santos passou oito anos na Fundhas. “Os professores se tornaram minha família e me inspiraram a ser uma pessoa melhor. Na Fundhas eu vivi e aprendi que a vida não é brincadeira, mas que os sonhos podem ser realizados”, afirmou.
Para ele, a Fundhas mudou histórias de vida. “Não fosse a Fundhas, talvez eu nem estivesse vivo. Perdi muitos amigos para as drogas. Enquanto eles morriam eu pensava que poderiam estar na Fundhas.”
Retribuição. A professora Grace Fabiana Fortes Quaresma, 37 anos, gostou tanto do tempo que passou na Fundhas, onde aprendeu a fazer doces, que retornou há 12 anos, mas agora para ensinar. “É gratificante voltar como educadora para formar pessoas.”
Formação.Mais de 8.000 crianças e adolescentes são atendidos pela Fundhas. Cheios de sonhos, eles vão descobrindo as primeiras lições de vida. “Aprendemos a não brigar, a fazer amigos e a respeitar as pessoas”, disse Ingrid Vitória, 10 anos. Outros já descobriram carreiras promissoras. “Adoro dança de rua e sapateado”, disse Tainará Santana, 12 anos.
Entidade estimula potencialidades
O diretor presidente da Fundhas em São José, Roniel Faria, disse que a Fundhas chega aos 24 anos renovada e com a missão de estimular as potencialidades profissionais e artísticas das cerca de 8.000 crianças assistidas.
“Apostamos em uma nova proposta pedagógica: a de desenvolver habilidades. Se um aluno toca violino, ou faz balé, iremos estimular. Isso aumenta a vontade da criança em aprender.”
Segundo ele, o projeto piloto na rede já atua em duas frentes: música e esportes, onde 800 crianças estão envolvidas. “No futuro pensamos em estimular o raciocínio lógico com aulas de xadrez.”
Para Faria, a ação da Fundhas vai além da educação. “Norteamos personalidades e moldamos seres humanos.”
A história da Fundhas foi presenciada pelo executivo, José Cividanes, um dos maiores parceiros da instituição.
“Hélio Augusto buscava um novo modelo de atendimento à criança. Me procurou e gostou da creche que havíamos implantado na Johnson. Hoje, a Fundhas se tornou um importante exemplo de formação profissional para menores.”
Festa. A Fundhas homenageia hoje ex-alunos e parceiros da instituição. Haverá apresentação de teatro e bolo.
A FUNDHAS
Criação
A Fundhas foi criada em 1987 pelo ex-prefeito Hélio Augusto de Souza com o objetivo de auxiliar no desenvolvimento de crianças de baixa renda. Atualmente a Fundhas mantem 21 unidades e tem um orçamento anual de R$ 40 milhões
Atividades
A Fundhas atende cerca de 8.000 crianças e adolescentes entre 7 e 18 anos. Dos 7 aos 15, são realizadas atividades educacionais, de esporte e lazer, cultura e informática, entre outras. A partir dos 15, os jovens passam a participar de programas profissionalizantes em áreas como mecânica, elétrica, panificação, hotelaria e turismo
Emprego
Concluído o curso o adolescente é encaminhado para uma empresa, na condição de aprendiz onde recebem bolsa auxílio
fonte: O VALE
Formação humanitária
.A educação social deve priorizar o saber filosófico, investigativo, inovador, essencial. Para trabalhar essa formação verdadeiramente humana, é preciso rever os ideais globalizadores, já que o cidadão tem de ser pensante, revolucionário, na escola, no trabalho, na igreja, na família, onde estiver.
Confúcio já ensinava que “aprender sem pensar não tem valor”, e Beto Guedes canta que “A lição sabemos de cor, só nos resta aprender”. Essas frases mostram que saber é muito mais que decorar, é procurar perguntas, geralmente mais relevantes que as respostas, é valorizar os porquês, é debater, conflitar, ouvir bastante e dialogar, é ser crítico o tempo todo, todo dia, o dia todo, é lutar contra as arbitrariedades, é propor mudanças, é valorizar a história, os pensadores e as experiências ao longo do tempo, sejam elas no campo científico, social, ambiental, político, cultural ou artístico. O cidadão antenado, conectado, deve valorizar a resistência, refutar a dominação, afirmar a diferença, vivenciar a pluralidade.
Todas essas questões indicam que a educação não pode ser apenas conteudista ao extremo, pois deve envolver de forma permanente o componente político, cultural e social nas atividades escolares, de modo a trazer para o processo de ensino-aprendizagem a vida como ela é, com o intuito de trabalhar para transformar o ser humano e, consequentemente, o mundo
Jean Carlos Neris de Paula
Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, Graduado em Letras-Português e Pós-Graduado em Linguística pela Universidade Federal do Espírito Santo.
Ler outros artigos de Jean Carlos Neris de Paulaterça-feira, 26 de abril de 2011
Projeto de Lei cria profissão de educador social no Brasil
Projeto de lei apresentado pelo deputado federal Chico Lopes (PCdoB) estabelece a criação da profissão de educador social no Brasil. A profissão possui profundo caráter social e engloba os profissionais envolvidos em atividades educativas fora do âmbito escolar tradicional, beneficiando, por exemplo, pessoas em situação de risco ou vulnerabilidade social, violência e exploração física ou psicológica. "Uma vez que a o projeto se transforme em lei, haverá um grande e concreto benefício para milhares de brasileiros que já atuam como educadores sociais e passarão a ter sua profissão reconhecida formalmente", destaca Chico Lopes.
Entre outras atividades em que podem atuar os educadores sociais, estão a preservação cultural e promoção de povos e comunidades, a defesa de segmentos sociais prejudicados pela exclusão social (mulheres, crianças, adolescentes, negros, indígenas e homossexuais), a realização de atividades sócio-educativas, em regime fechado, semiliberdade e meio aberto e a realização de programas e projetos educativos destinados à população carcerária.
Outras frentes de atuação são o apoio a pessoas portadoras de necessidades especiais, o enfrentamento à dependência de drogas, atividades sócio educativas para terceira idade, promoção da educação ambiental e da cidadania, da arte-educação, de manifestações folclóricas e culturais, além do trabalho em associações comunitárias e conselhos tutelares.
Pelo projeto de lei, o Ministério da Educação (MEC) passará a ser responsável pela elaboração e regulamentação da Política Nacional de Formação
O projeto prevê ainda que os governos federal, estaduais e municipais adequem para a denominação de "educador ou educadora social” os cargos atualmente ocupados por profissionais com esse campo de atuação, criando os respectivos Planos de Cargos e Carreiras.
Justificativa
Justificando a apresentação do projeto, Chico Lopes chama atenção para a necessidade de reconhecimento formal desses importantes profissionais, cuja atuação já encontra citação legal desde a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Outros marcos na luta pela regulamentação da profissão foram o XVI Congresso Internacional de Educadores Sociais, realizado em 2005, em Montevidéu, no Uruguai, e os Encontros Estaduais de Educadores Sociais promovidos em vários estados brasileiros.
Entre outros países que participam de um movimento internacional pelo reconhecimento da profissão estão nações como Alemanha, França, Canadá, Holanda, Itália e Suíça. Outro dado relevante é a abertura de concursos públicos para provimento de cargos de educadores e educadoras sociais, que já vêm acontecendo, em pelo menos 100 municípios de 21 Estados no Brasil.
"A criação da profissão de Educador e Educadora Social, além de valorizar estes agentes que tanto contribuem para o enfrentamento da dívida social brasileira, pode suscitar importantes debates acerca da educação no seu sentido mais pleno, com a abrangência que lhe dá o Artigo 1º da LDB, atendendo a necessidades sociais de nosso tempo", reforça Chico Lopes.
Fonte: Ass. Imprensa - Dep. Fed. Chico Lopes - PCdoB-CE
Projeto de Lei Nº 5346 em PDF - Clique
segunda-feira, 25 de abril de 2011
sábado, 23 de abril de 2011
Blogs viram incentivo a aprendizagem
Victor Moriyama
Fundhas investe nos blogs; mais do que diários virtuais, os blogs servem como uma atividade sócio-educativa
Simone Siqueira
São José dos Campos
A Fundhas (Fundação Hélio Augusto de Souza), em São José, investe nos blogs como ferramenta de aprendizagem para seus alunos. Mais do que diários virtuais, os blogs servem como uma atividade sócio-educativa.
Os alunos desenvolvem a ferramenta e usam o espaço para disseminar ideias e informações. É o caso de Diego de Jesus Bretas, de 16 anos. Há duas semanas, ele criou dois blogs: um com dicas de informática e outro sobre poemas e sonetos, com o nome ‘Um momento para pensar’.
Segundo o estudante, o primeiro já teve 110 acessos, e o segundo, 49.
“O de informática tem a função de ajudar as pessoas, e criei até um ‘vídeo-dicas’. O outro tem poemas e fala da vida de poetas. Estou pondo em prática o que aprendi na Fundhas”, disse ele, que pretende atuar como designer gráfico ou web designer.
Para a supervisora de Projetos Suplementares da Fundação, Arlete Aparecida Leite Nogueira, o uso do blog na educação é uma forma de aprender em comunidade e com responsabilidade.
“Notamos que a autoestima deles melhorou, eles se sentem mais importantes ao administrarem seus blogs. Os alunos também ganharam em criatividade e leitura, com textos mais bem formatados”, disse.
Segundo ela, 15 blogs já foram criados. Das 21 unidades da Fundhas, 18 já implantaram o projeto.
Recurso. O objetivo, segundo a Fundhas, é que os blogs sejam para os estudantes um recurso educativo na aprendizagem, para contribuir no processo da autonomia e reflexão.
A estudante Carolline Trípoli, 17 anos, também se preocupou em informar os internautas. Seu blog com dicas de web design já soma 40 visualizações por mês. “Um blog pessoal destinado aos amigos vira um diário, mas um blog profissional se torna uma ferramenta de pesquisa. O aprendizado fica muito mais dinâmico.”
fonte: O VALE
domingo, 17 de abril de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
domingo, 10 de abril de 2011
Inscrições abertas: Seminário de Pedagogia social de base antroposófica no Brasil 2011 - em São Paulo
Encontrar o outro como caminho para encontrar a si mesmo.
São Paulo - 30 de junho a 08 de julho de 2011
No contínuo balanço entre o lidar com os outros e com nós mesmos, se coloca o desafio de um desenvolvimento responsável que nos leve a relações mais sustentáveis nos múltiplos âmbitos em que atuamos.
De um lado prezamos a nossa autonomia e liberdade, e de outro, corremos o risco de nos tornarmos ilhas. Ao mesmo tempo, o nosso convívio e cooperação com outras pessoas, seja na família, no trabalho ou nos diferentes grupos em que convivemos, requerem a construção de “pontes sociais”, o desenvolvimento de habilidades sociais que nos possibilitem sair de nós mesmos para encontrar mais plenamente o outro.
Onde está a possibilidade da mudança?
O próprio ser humano, trabalhando a si mesmo como um Ser Social, pode se tornar o foco desta mudança.
Este seminário será uma jornada de AUTODESENVOLVIMENTO através das relações sociais.
Objetivos do Seminário
O Seminário tem por objetivo propiciar a cada participante um espaço privilegiado para lidar com seus questionamentos e aprender a partir da de sua realidade social e pessoal.
É um processo de imersão de oito dias, numa dinâmica conduzida por facilitadores dedicados ao trabalho de desenvolvimento de pessoas, grupos e organizações.
A quem se destina:
Pessoas maiores de 21 anos que estejam Dispostas a trabalhar em seu próprio desenvolvimento Dispostas a contribuir com o desenvolvimento dos que estão ao seu lado;
quinta-feira, 31 de março de 2011
O nosso adolescente nas comunidades populares.
Temos ainda - arca de surpresas - os meninos,
e é proibido antecipar a sorte.
Degustam bem aventuradamente um naco de melancia,
Acomodam-se numa caixa de biscoito, aderem ao carnaval.
Seus olhos profundos indagam: - que fazes por mim?
Não sabemos responder - os meninos continuam,
esperança de todos os dias, e promessa de humanidade.
Carlos Drummond de Andrade.
A adolescência é um período de transformações e intensas emoções. É uma fase caracterizada por uma crise de identidade que envolve o corpo, os valores existentes, expectativas quanto ao que devem ser, escolher e o lugar a ocupar na sociedade. Então, é um período de grande reorganização pessoal e social, na qual o adolescente deixa sua identidade infantil e busca uma nova definição de si mesmo. Muitas vezes isto ocorre com contestações, rebeldias, rupturas, inquietações, podendo passar por transgressões. Isto tudo reflete a grande revisão dos valores que os cercam e do mundo em que vivem.
Desta forma, realizam a passagem do mundo infantil para o mundo adulto, e o amor, a amizade, o trabalho, a escola e o projeto de vida tornam-se grandes questões tendo como ponto central a identidade: Quem sou eu? Como sou eu? Qual o meu valor? Quem me valoriza? O que quero? O que quero ser?
Este é o quadro comum dos adolescentes. Nas comunidades populares citadas por Serrão e Baleeiro (1998) também se observam estas características, ou seja, eles não diferem em essência em relação aos adolescentes de outra classe social. Contudo, o que difere para eles são as formas de ver o mundo, de reagir e de expressar os sentimentos, o que está relacionado com o contexto em que estão inseridos.
Assim, Serrão e Baleeiro (1998) relacionaram algumas das características particulares desta população, lembrando que não devem ser tomadas como definitivas e invariáveis:
- Auto-estima fragilizada: Espantavam-se ao receber elogios ou reconhecimentos dirigidos a eles. Para fortalecer a auto-estima é necessário um reposicionamento na família, na comunidade, na escola e na sociedade, modificando o olhar para si próprio e readquirindo a dignidade perdida no processo histórico.
- Auto-imagem contaminada por preconceitos: relativos à classe social, etnia, nível cultural, profissão e local de moradia, como se não pudessem transpor obstáculos vinculados a ser negro, pobre ou de periferia. Em ambientes estranhos, mentiam ou omitiam sua origem, indicando uma auto-imagem comprometida para lidar com os preconceitos sociais.
- Medo de expressar-se: relacionava-se com o medo do ridículo e da exclusão, com desconfiança constante, como defesa, já que a sociedade não lhes oferece oportunidades.
- Dificuldades em reconhecer em si atitudes de racismo: Por exemplo: colocando-se como vítimas do branco ou assumindo comportamentos racistas em relação ao mesmo e repetindo, sem se dar conta, brincadeiras preconceituosas e pejorativas em relação ao negro.
- Presença da sensualidade: relação com o corpo colorida por uma sensualidade natural, não sendo sinônimo apenas de sexualidade e sim de uma facilidade de expressar-se mais com o corpo e um jeito sedutor de ser.
- Música e dança como formas de expressão: com letras de significado cantando o corpo, a negritude, os protestos, a liberdade, com ritmos primitivos, que imitam as batidas do coração e trazem raízes africanas.
- Ataque como forma de defesa: defesas psicológicas como forma de proteger-se de frustrações e sofrimentos presentes e passados, apresentadas como "medo" do outro, ou seja, o outro é visto como ameaça constante, manifestada nas falas, atitudes e comportamentos.
- Falta de perspectiva: os desejos eram os mesmos que os dos adolescentes de outras classes sociais (ter casa própria, família, carro, profissão reconhecida, boa situação financeira), porém com consciência das barreiras sociais impostam para quem é negro, sem qualificação específica, não mantendo ilusões acerca da condição desigual de oportunidades, mas com atitude de resignação e desesperança por não acreditarem que sua ação fosse capaz de interferir no curso dos acontecimentos.
- Contradições frente à realidade: Ao falar sobre transformar a realidade, expressavam-se como agentes de ação: é possível mudar, transformar, criar, resolver. Quando era preciso agir, a realidade era vista como imutável. Ficavam imobilizados diante dos fatos.
- Percepção das limitações da escola, constatando que a escola não oferecia meios para mudarem de vida, mas reconhecendo que sem ela enfrentariam dificuldades maiores, entendendo a má qualidade do ensino como mais uma evidência da desqualificação a que estavam submetidos. A escola, desta forma, parecia reforçar a desesperança, não desenvolvendo o potencial intelectual dos jovens e suas habilidades de leitura, tornando o mundo ainda mais distante e ameaçador.
- Preocupação com a inserção no mercado de trabalho para ajudar a família e atender a necessidades pessoais. Alguns adolescentes eram pressionados pela família a trabalhar e outros largavam a escola para se lançarem no mercado de trabalho; a escola, por outro lado, negligenciava as questões do trabalho e da orientação profissional.
- Papéis de gênero masculino e feminino com limites mais rígidos com aparente reprodução dos modelos que reforçam a separação entre o que é permitido ao homem e à mulher.
Nos relatos masculinos: o homem pode ter várias mulheres, usufruir de maior liberdade, esquivar-se das funções domésticas, ter direito ao lazer, abandonar as responsabilidades familiares de sustento, presença e afeto, reprimir a sensibilidade e não demonstrar emoções, ter atitudes de "macho" como ter atividade heterossexual constante e iniciada o mais cedo possível, iniciativa perante a mulher e não recusar qualquer insinuação / oferecimento / convite feminino.
Nos relatos femininos: a mulher é mais respeitada se vinculada a um homem, tem a obrigação de cuidar das tarefas domésticas, assumir os filhos e a educação, ser responsável por evitar a gravidez, estar sempre disponível às solicitações do parceiro. - Falta de privacidade na vida pessoal na qual a intimidade era compartilhada e a falta de privacidade era considerada natural. Quem quisesse manter sua intimidade era apontado como estranho ou querendo ser diferente dos demais.
- Condições de solidariedade como forma de sobrevivência, para garantir ajuda em situações futuras, como forma de preservar o grupo.
- O papel da religião suprindo necessidades de proteção, pertinência e identidade e também representando a lei, a ordem e a proteção, contribuindo para formação de laços sociais e para o sentimento de pertencer.
- Forte relação com a mãe com culto à figura materna, amor incondicional, gratidão, desejo de ser motivo de seu orgulho, pois mesmo quando fora de casa por muitas horas, exerce um papel integrador.
- Ausência da figura paterna, quer por falecimento, separação do casal, dificuldade ou impossibilidade de assumir o papel de pai;
- Percepção da cidadania como conceito abstrato, entendida como desvinculado da prática do dia a dia. Somente quando direitos e deveres eram percebidos tornava-se possível sair da condição passiva e se assumirem como agentes de mudança, concretizando o conceito de cidadania: cidadão capaz de comprometer-se com a realidade social e sua transformação.
- A festa do povo - tudo se comemora: com alegria e espontaneidade nas comemorações com manifestações culturais como dança, música e teatro, como forma de se refazer de um cotidiano sofrido e ameaçador.
Alguns aspectos importantes, não puderam ser relatados por falta de uma observação mais sistematizada, mas representam questões que devem ser consideradas. São elas: violência, drogas e marginalidade. Também por falta de dados não foram contempladas informações sobre as comunidades de origem, condições sócio-econômicas e relação com outros segmentos sociais.
Referência:
Serrão, Margarida e Baleeiro, Maria Clarice, Aprendendo a Ser e a Conviver, FTD, 1998.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Ajude seus alunos a participar
A SENAD está promovendo o XII Concurso Nacional de Cartazes, o I Concurso Nacional de Vídeo, o IX Concurso Nacional de Fotografia e o IX Concurso Nacional de Jingle. Este ano os concursos têm como tema "Arte e Cultura na prevenção do uso de crack e outras drogas".
Em parceria com o Centro de Integração Empresa/Escola - CIEE, a SENAD está lançando o X Concurso de Monografia para Estudantes Universitários, com o tema A Intersetorialidade como Estratégia de Enfrentamento ao Crack.
Não perca tempo nem prazo, os trabalhos deverão ser postados até o dia 25 de abril de 2011. Saiba mais...
sexta-feira, 18 de março de 2011
Educação e Proteção Social
Rio - O Brasil universalizou o acesso à Educação Fundamental. Nossas crianças estão na escola. Isso é um ganho extraordinário. Precisamos de um segundo passo em direção à inclusão social sustentável para diminuir a evasão escolar, a infrequência e a repetência, mas sobretudo o sentimento das famílias mais pobres de que a Educação não é solução. A escola sozinha não vai conseguir esta conquista, que é uma responsabilidade das políticas de proteção social.
É por isso que venho defendendo que haja uma equipe de Proteção Social em cada escola, formada por psicólogos, profissionais de Saúde e assistentes sociais que garantam a relação com a família de forma continuada, sempre ressignificando para mães e pais que não existe futuro sem Educação. Uma equipe que saiba mediar a realidade com os professores e traduzir para a família as dificuldades a serem superadas pela criança para que esta avance nos estudos ao invés de deixar a escola.
A aliança entre Educação e Proteção Social é a construção da ponte que pode fazer as famílias no Brasil atravessar o fosso da exclusão social. Políticas sociais devem conviver de forma integradas e não há nada mais importante do que garantir o término do estudo de uma criança.
Marcelo Garcia: Assistente social e coordenador do Núcleo Fluminense de Estudos da Assistência Social
Fundação Telefônica lança concurso multimídia
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Sérgio Mindlin, diretor-presidente da Fundação Telefônica, apresentou o concurso para o público da Campus Party e falou ao EducaRede sobre o Minha Vida Mudou: "A ideia é que o concurso proporcione reflexão sobre hábitos associados ao uso da tecnologia, que hoje parecem básicos mas não faziam parte do dia-a-dia das pessoas há 15 anos atrás".
sábado, 12 de março de 2011
Tire suas poesias e textos, da gaveta e participe do concurso nas categorias Aluno do Ensino Fundamental, Médio, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Professores, profissionais de biblioteca (bibliotecários, auxiliares de biblioteca e promotores de leitura) e educadores sociais (educadores de projetos sociais, educacionais).




