O lançamento da coleção “Abrigos em Movimento”, elaborada pela Associação de Pesquisadores de Núcleos de Estudos e Pesquisas sobre a Criança e o Adolescente (Neca) e pelo Instituto Fazendo História, será na terça-feira (1º/03), no auditório da Casa do Idoso.
A coleção reúne relatos de experiências, textos de orientação e reflexão, estudos de casos e depoimentos para a disseminação no país da cultura dos direitos da criança e do adolescente à convivência familiar e comunitária.
Em São José dos Campos, a Neca é parceira da Prefeitura, que por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social implantou em 2010 o Siabrigos (Sistema de Informações sobre a Criança e o Adolescente em Abrigos).
Através deste sistema, é possível ampliar o conhecimento sobre a realidade dos cinco abrigos hoje existentes na cidade e traçar o perfil das crianças e adolescentes abrigados e de suas famílias.
A abertura do evento desta terça-feira será às 9h. Em seguida, a SDS faz uma apresentação do funcionamento do Siabrigos implantados nos dois abrigos municipais (masculino e feminino) e nos três conveniados (Casa das Meninas e Meninos, Casa dos Bebês e Lar Salete). Depois será apresentada a coletânea “Abrigos em Movimento”, por representantes da Neca
Espaço para discussão e formação de Educadores Sociais. Solicitação de inclusão pelo e-mail: educadorsocialfundhas@gmail.com
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Coleção “Abrigos em Movimento” será lançada em São José
A importância de garantir o direto a educação!
A educação, direito de todos e dever do Estado e da família (CF, art. 205), reclama atenção especial dos pais, pois estes têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores (CF, art. 229).
Tais normas constitucionais encontram no Código Civil e no Estatuto da Criança e do Adolescente outras disposições, valendo lembrar que aos pais, enquanto titulares do poder familiar, compete-lhes, quanto à pessoa dos filhos, dirigir-lhes a criação e educação (CC, art. 384, inciso I), afirmando o ECA que aos mesmos incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores (art. 22).
No que concerne à escolaridade, o principal dever dos pais consiste em matricular os filhos na rede regular de ensino (ECA, art. 55), valendo lembrar que deixar de prover a instrução primária de filho em idade escolar, sem justa causa, constitui crime de abandono intelectual, punido com detenção de 15 dias a um mês, ou multa. (CP, art. 246).
Deflui do artigo 129, inciso V, do ECA que os pais, além da matrícula, têm o dever de acompanhar a freqüência e o aproveitamento escolar do filho. O mero colocar na escola não elide a obrigação dos pais, reclamando a lei atuação no sentido de garantir a permanência, bem como no de observar e participar da evolução escolar da criança ou adolescente, avaliando seus progressos individuais e estimulando-os para que o estudo seja-lhes rendoso.
No que tange ao início das aulas, para que o desempenho dos filhos seja mais proveitoso na escola, os pais devem tomar algumas medidas
O principal é os pais darem o exemplo e se envolverem, criando associações positivas com a experiência escolar do filho.
Carlos Arcanjo
sábado, 26 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Entrevista com o psicólogo Caio Feijó
Qua, 23 de Fevereiro de 2011 17:44
Durante entrevista ao Imperatriz Notícias, o psicólogo falou de educação, família e adolescência
O psicólogo, especialista em psicologia Clínica, psicoterapeuta de jovens, adultos e famílias, mestre em Psicologia da Infância e da Adolescência pela Universidade Federal do Paraná, professor de Psicologia, Terapia Cognitivo-Comportamental, Desenvolvimento Pessoal, Desenvolvimento Interpessoal e de Mediação (Gestão de Conflitos); Caio Feijó, esteve nos dias 15 e 17 de fevereiro ministrando palestras em Imperatriz para professores que integram o quadro da Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer (SEMED).
Caio Feijó participou em 2000 do Projeto “Cápsula do Tempo” no Fantástico da Rede Globo, quando realizou um experimento com um grupo de 13 adolescentes com média de idade de 15 anos. Em maio de 2010, a "cápsula" foi aberta e os resultados foram divulgados com a cobertura do Fantástico.
Durante suas palestras com os professores, Caio Feijó explicou que o seu foco é a educação social e não a pedagógica Na ocasião, concedeu entrevista a diversos meios de comunicação e conversou com a redação do Site Imperatriz Notícias.
01- Em um de seus artigos, você afirma que “bulling é uma palavra moderna para um tema antigo”. Você acredita que o bulling sempre existiu?
Sim, sempre existiu! Basta perguntar para os mais antigos sobre os apelidos corriqueiros do passado como "quatro olhos", "rolha de poço", "Olívia Palito", entre outros. As proporções é que não eram como as atuais, hoje, por um lado, a comunicação é muito mais intensa (existe até o siberbulling) e por outro, os jovens se preocupam muito mais em "ter" do que "ser", ou seja, os efeitos desta agressão nos dias atuais parecem ser mais contundentes.
02 - Você afirma também que a “sociedade é coercitiva em todas as suas instâncias”, mas conhecendo a sociedade mesmo assim nos surpreendemos com os casos de bulling, por quê? Será se a mídia tem alguma influência na maneira como reagimos aos casos de bulling?
O bulling só existe porque somos uma sociedade coercitiva, e uma parte da mídia tem grande responsabilidade sim na formação dos jovens, quando faz apologia a "ter" esse ou aquele produto para se diferenciar. Quem nunca ouviu histórias sobre crianças e adolescentes que se deprimem porque seus pais não podem comprar aquele tênis da Nike? Daí na escola, sente-se um nada quando riem do seu calçado?
03- Você afirma em seu artigo sobre bulling : “Pessoalmente, sou a favor de que as crianças dessa idade tivessem como professores, DOUTORES EM EDUCAÇÃO. Os Mestres poderiam dar aula para o ensino fundamental e médio, e os especialistas, para o ensino superior. Acredite, a qualidade da educação só teria ganhos”. Você acredita que a forma como são estruturados os primeiros anos da educação formal esta incorreta?
É muito comum aí pelo Brasil afora, de se encontrar serventes cuidando de crianças do ensino infantil, e até mesmo, fazendo o papel da professora, por falta de pessoal. A linha de raciocínio dos estudiosos do desenvolvimento humano é que: sendo a primeira infância (0 a 5 anos) a fase mais importante da vida, a fase da construção da personalidade, e que determinará quem será esse indivíduo na vida adulta, é lógico que essa criança deveria estar cercada de adultos competentes nesse período. No entanto, não é o que acontece em muitas instituições. A minha posição foi e será, que os educadores dessa população infantil deveriam ter os maiores salários, o melhor preparo e a melhor formação para assegurar futuros alunos motivados para o estudo, disciplinados, inteligentes e afetivos.
04 - Ouvimos muitos estudiosos afirmarem que a educação é umas das principais responsáveis pela mudança da sociedade, mas também vemos que na escola os problemas e disparidades sociais podem se acentuar; como a escola pode atuar na diminuição dos casos de bulling?
Se preocupando um pouco mais com a educação social dos seus alunos, e envolvendo também a família. Têm muita instituição de ensino no país que se limita exclusivamente à educação pedagógica. Quanto mais programas de educação em valores forem instituídos e mais educadores capacitados para desenvolver habilidades sociais de comunicação com seus educandos, e o respectivo envolvimento familiar, menores serão os índices de bulling nas escolas, é simples assim.
05- Em sua opinião, quais os erros e acertados por parte de pais e mães na educação das crianças e jovens atualmente?
Tenho um livro com o título "Os 10 Erros que os Pais Cometem", bom seria se cometessemos sómente 10 erros na educação dos nossos filhos, no entanto há alguns imperdoáveis como a agressão, a rejeição e a superproteção, esta última, produz tantas consequências nocivas como as outras duas no comportamento futuro dos filhos. - Os maiores acertos dos pais são relacionados com a boa referência (exemplos de comportamentos fundamentados em valores), presença e participação ativa na vida dos filhos, muito afeto e estabelecimento de limites. Regras e limites são obrigações familiares des de a primeira infância.
06 - Com o aumento do consumo do crack, cenário que é considerado uma epidemia por alguns especialistas, como a escola e a família ajudar crianças e adolescentes a evitar o vício?
O acesso e primeiras experiências com as drogas pelos jovens estão diretamente associados com insegurança, baixa autoestima, solidão, e a necessidade de ousar e provar (característica própria de muitos jovens). Assim, todas as propostas preventivas deveriam passar por avaliações profundas sobre as caracteriasticas acima dos nossos filhos e alunos. Muito diálogo, participação ativa (presença na vida do filho). Outro fator, é a idéia de que maconha e outras drogas ilícitas são as portas para o consumo de drogas pesadas como o crack, por exemplo. ENGANO, a maior porta é o álcool, uma droga extremamente poderosa no que diz respeito à dependência, no entanto, muitos pais fazem vista grossa para os porres dos filhos e depois não sabem porque ele está usando crack. Recentemente ouví uma conversa entre duas mães de adolescentes após uma festa de 15 anos e, respondendo à pergunta da amiga sobre se os jovens haviam consumido drogas na festa, a mãe da aniversariante respondeu: "eles beberam bastante mas, droga não rolou".
07 - Quais os principais sonhos e desafios dos adolescentes hoje? O que mudou e poderá mudar?
Os resultados do experimento "A Cápsula do Tempo" confirmam que o adolescente não sabe o que quer. Aos 15 anos eles criticam a família, a escola e o professor, muitas vezes, na fila da inscrição para o vestibular ainda não sabem o curso que irão escolher. Isso é historicamente comum, no entanto, qualquer adolescente dirá que não, que ele sabe o que quer da vida. Alguns anos depois quando inquirido, as respostas serão idênticas às do grupo da "cápsula”: "quando se tem 15 anos a gente fala e faz cada besteira!" Aos 25 anos o maior arrependimento é de não ter dado ouvido aos pais e aos bons professores.
O grande desafio da família e da escola é não tentar mudar o jovem e sim tentar compreendê-lo cada vez mais. Tarefa dificílima, nesta era da revolução tecnológica onde muitos jovens têm mais informações do que muitos pais e professores. Precisamos compreender e aceitar que eles são os NATIVOS DIGITAIS e nós, os mais velhos, IMIGRANTES DIGITAIS. A partir dessa postura, a resistência aos mais velhos, natural da fase, tende a ceder, a comunicação ocorre com mais fluidêz e as oportunidades de mudanças poderão ocorrer.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Pedagogia Social
Mais uma vez devido às grandes transformações sociais que ocorrem nas sociedades atuais, uma nova concepção de educação tem sido exigida. Os Estudos da pedagogia social vão ao encontro daqueles sujeitos que historicamente sempre foram excluídos de todo esse processo (Paula e Machado, 2008). Estas questões estão retratadas no próprio documento do Ministério da Educação e Cultura, MEC (Brasil, 2005, p.5):
Enfatiza-se ainda que grande parte dos Cursos de Pedagogia hoje tem como objetivo central à formação de profissionais capazes de exercer a docência na Educação Infantil, nos anos iniciais do ensino Fundamental, nas disciplinas pedagógicas para a formação de professores, assim como para a participação no planejamento, gestão e avaliação de estabelecimentos de ensino, de sistemas educativos escolares, bem como organização e desenvolvimento de programas não-escolares.(grifo nosso) Os movimentos sociais também têm insistido em demonstrar a existência de uma demanda ainda pouco atendida, no sentido de que os estudantes de Pedagogia sejam também formados para garantir a educação, com vistas à inclusão plena dos segmentos historicamente excluídos dos direitos sociais, culturais, econômicos e políticos.Embora ainda haja discussões em torno da formação do profissional Pedagogo ter ou não uma base na concepção de docência, essa dicotomia, no entanto têm em comum em considerar a formação do Pedagogo como base científica. O profissional da educação para atuar em espaços diversos, e também em espaços escolares, precisa saber aprender a refletir de forma crítica, científica e teórica a fim de que possa agir comprometido, competente e responsável com todas as classes sociais e diferentes contextos (Paula e Machado, 2008) . Sobre esse tema Libâneo (2006, p.7) afirma que:
Todo trabalho docente é trabalho pedagógico, mas nem todo trabalho pedagógico é trabalho docente. Um professor é um pedagogo, mas nem todo pedagogo precisa ser professor. Isso de modo algum leva a secundarizar a docência, pois não estamos falando de hegemonia ou relação de precedência entre campos científicos ou de atividade profissional. Trata-se, sim, de uma epistemologia do conhecimento pedagógico. (…) Precisamente pela abrangência maior do campo conceitual e prático da Pedagogia como reflexão sistemática sobre o campo educativo, pode-se reconhecer na prática social uma imensa variedade de práticas educativas, portanto uma diversidade de práticas pedagógicas. Em decorrência, é pedagoga toda pessoa que lida com algum tipo de prática educativa relacionada com o mundo dos saberes e modos de ação, não restritos à escola. A formação de educadores extrapola, pois, o âmbito escolar formal, abrangendo também esferas mais amplas da educação não-formal e formal. Assim, a formação profissional do pedagogo pode desdobrar-se em múltiplas especializações profissionais, sendo a docência uma entre elas.
A pedagogia social só começou a ter produções significativas a partir das últimas décadas, onde esses artigos trazem as incertezas e divergências sobre a estrutura e finalidade da educação não formal e da pedagogia social (Paula e Machado, 2008). Porém todas as discussões concordam em não desvalorizar a escola formal embora discutam os mecanismos excludentes que ela produz a partir dos seus processos formais de aprendizagem.
Uma importante definição de Caliman (2006, p.5)que define bem a respeito da pedagogia social, onde fica clara que ela é uma ciência voltada para as classes sociais populares, argumenta da necessidade de mais estudos sobre as práticas nessa área:
(…) diz respeito á diferença entre Pedagogia Escolar e Pedagogia Social. A primeira tem toda uma história e é amplamente desenvolvida pela didática, ciência ensinada nas universidades. A segunda, a Pedagogia Social, se desenvolve dentro de instituições não formais de educação É uma disciplina mais recente que a anterior. Nasce e se desenvolve de modo particular no século XIX como resposta às exigências da educação de crianças e adolescentes (mas também de adultos) que vivem em condições de marginalidade, de pobreza, de dificuldades na área social. Em geral essas pessoas não freqüentam ou não puderam freqüentar as instituições formais de educação. Mas não só: o objetivo da Pedagogia Social é o de agir sobre a prevenção e a recuperação das deficiências de socialização, e de modo especial lá onde as pessoas são vítimas da insatisfação das necessidades fundamentais. Podemos re-afirmar, portanto, que no Brasil atual a Pedagogia Social vive um momento de grande fertilidade. É um momento de criatividade pedagógica mais que de sistematização dos conteúdos e dos métodos. Em outras palavras, mais que pedagogistas, temos no Brasil educadores que colaboram com o nascimento e o desenvolvimento de um know how com identidade própria, rica de intuição pedagógica e de conteúdos. Ao mesmo tempo nos damos conta de que é chegado o momento no qual precisamos sistematizar toda essa gama de conhecimentos pedagógicos para compreender melhor e interpretar a realidade e projetar intervenções educativas efetivas.
Original ampliado no http://www.abmeseduca.com/?p=1484
sábado, 29 de janeiro de 2011
Educação social humanista e inovadora
- Um currículo, mais integrado, mais próximo do cotidiano, com muita mais liberdade de percurso, de escolhas, de integração significativa.
- Metodologias, mais ativas e focadas em pesquisa e produção, em jogos, na relação prática-teoria-prática.
- Maior integração com os pais, com a família. Se a família é educadora, a aprendizagem se torna muito mais fácil e a escola avança mais.
- Melhor organização do tempo e de espaço, muito mais flexível (educação multiespacial e multitemporal). Uma parte em sala de aula, outra na Internet, e outra na cidade, em contato com os lugares significativos para a aprendizagem e para o trabalho.
- Professores mais preparados, melhor formados, melhor remunerados, escolhendo os melhores alunos para serem preparados para a docência. Professores mais humanos, afetivos, acolhedores, além de competentes.
- Gestores pró-ativos, dinamizadores, bem preparados e com visão humanista.
- Uma educação social mais organizada e continuada, que atenda a públicos específicos: jovens casais-pais, pessoas marginalizadas, pessoas com dificuldade de empregabilidade, idosos, pessoas presas. Ensinando valores importantes para a convivência, para o equilíbrio pessoal, para a não dependência emocional, para a valorização pessoal.
- Utilizando as mídias possíveis e de forma integrada nos novos nichos educacionais.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Educação Social e comunidade Isa Guará
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Indisciplina na Fundhas
Há algum tempo educadores sociais questionam como lidar com a indisciplina nas Unidades da FUNDHAS. Para responder estas questões foi elaborado, em 2007, o documento Intervenção Educativa que esclarece educadores sociais, gestores, assistentes sociais e outros que tem contato direto com crianças e adolescentes da instituição, a forma de agir obedecendo todas as limitações legais e deixando claro que lidamos com seres em desenvolvimento, logo toda intervenção disciplinar deve respeitar a criança e o adolescente e ter caráter educativo.
Disciplina significa ordem que convém ao funcionamento regular de uma organização, observância de preceitos ou normas e a submissão a um regulamento.
Indisciplina significa desobediência, desordem. A indisciplina pode ser traduzida de duas formas: a revolta contra as normas ou o desconhecimento delas.
A indisciplina em qualquer instituição se apresenta pelo descumprimento das normas fixadas pela instituição, no caso da FUNDHAS, no documento Intervenção Educativa que deve ser de conhecimento de todos na instituição.
É o documento que regula as relações entre a FUNDHAS e o público atendido, ou seja, crianças, adolescentes e pais. Neste documento está expresso, com clareza, os Direitos e os Deveres das crianças e dos adolescentes (pg. 4), assim como Intervenções Disciplinares (pg. 9) a serem aplicadas nos casos de descumprimento de suas disposições. Os Direitos e Deveres previstos no Intervenção Educativa devem ser divulgados pelos profissionais das Unidades da FUNDHAS, em obediência ao princípio da legalidade.
Se um criança ou um adolescente comete um ato de indisciplina, deve ser aplicado a ele as Intervenções Disciplinares (pg9) previstas no Intervenção Educativa . Esse documento está atualizado e de acordo com a Constituição Federal (art° 227), o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (art° 1º), a Lei do Aprendiz e Documentos da Qualidade da FUNDHAS.
Ato infracional é a conduta praticada por criança ou adolescente que está descrita na legislação penal como crime (conduta ilícita prevista criminalmente, no Código Penal ou
Quando uma criança ou adolescente pratica um ato infracional, haverá um tratamento
diferenciado para cada um deles:
A criança infratora fica sujeita às medidas de proteção previstas no art. 101 do ECA, enquanto o adolescente infrator submete-se às medidas socioeducativas previstas no art. 112 do ECA, ou, se for o caso, às medidas de proteção cabíveis, aplicadas pelo Poder Judiciário após regular processo.
Se o adolescente é dependente químico e no caso de todas as intervenções do serviço social não serem suficientes, o Conselho Tutelar será acionado para que seja aplicada a ele uma medida de proteção. Se a hipótese é de tráfico, a polícia deve ser acionada.
De todos os profissionais, afinal é uma medida de proteção. É preciso distinguir se trata de um fato isolado ou se é uma situação que se repete com frequência. Tratando-se de um caso isolado, as criança ou adolescentes devem ser chamados pelos profissionais da Unidade da FUNDHAS para identificar o que aconteceu. A partir daí, a Unidade da FUNDHAS deve chamar os pais e comunicar-lhes o fato ocorrido, aplicando às crianças e aos adolescentes as sanções disciplinares adequadas, dentre as previstas no Intervenção Educativa . Se ainda assim as brigas persistirem e forem esgotadas todas as possíveis intervenções, o Conselho Tutelar pode ser acionado para aplicar os esses adolescentes alguma medida de proteção Não esquecer que, se da briga resulta lesões corporais, o fato constitui crime previsto no Código Penal e é necessário também comunicá-lo à Polícia para posterior encaminhamento à Justiça da Infância e Juventude.
Sim, pois quando os pais não se interessam pelos problemas dos filhos, isso pode ser sinal de negligência, abandono ou de situações familiares mais graves. Nesse caso, cabe ao Conselho Tutelar intervir junto à família da criança ou do adolescente, aplicando as medidas necessárias, previstas nos arts. 101 e 129 do ECA.
O art. 56 do ECA, pode não se aplicar à FUNDHAS, mas os profissionais são obrigados a comunicar o fato ao Conselho Tutelar, que adotará as providências para apurá-lo. Se o educador, assistente social ou o gestor não fizer a comunicação ao conselho, essa omissão configura infração administrativa, sujeitando-o à penalidade prevista no art. 245 do ECA.
Caso perceba que a criança ou o adolescente falta com frequência, sem as devidas justificativas, deve convocar os pais ou responsáveis para averiguar a causa das ausências e buscar soluções e encaminhamentos para sanar o problema. Caso a Unidade da FUNDHAS não consiga sensibilizar os pais ou responsáveis, a questão das faltas ou da evasão passa a configurar negligência com a criança ou o adolescente, e é dever de qualquer profissional oficiar o Conselho Tutelar. Ressalta-se a importância ddos profissionais registrar todos os contatos e ações realizadas com esse objetivo no sistema DECA. Ex: número de vezes que os pais ou responsáveis foram chamados, a forma como foram notificados e os tipos de intervenção que foram feitas, de modo a subsidiar e fundamentar os procedimentos posteriores, inclusive no caso de omissão ou inação do responsáveis.
terça-feira, 30 de março de 2010
Código Deontológico do Educador Social
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Perfil do Educador Social: experiências e reflexões
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publicado em 03/02/2010 |
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RESUMO
A proposição de elaboração desse artigo
origina-se da necessidade de subsídios teóricos para o exercício profissional
do Educador Social na atualidade. Percebemos, após o trabalho de mais de dois
anos
Palavras-chave:
Educador Social; Crianças, Adolescentes e Famílias; Vulnerabilidade Social.
INTRODUÇÃO
Vivemos hoje em uma sociedade capitalista, impregnada pela
cultura individual e determinada muitas vezes pela globalização, onde neste
processo, modificam-se as relações culturais, conseqüentemente posturas,
valores, princípios, os quais têm refletido no âmbito familiar, escolar e
social.
Permeados por essa diversidade, encontramos desafios para educar
na atualidade, pois educar nos exige: Rigorosidade metódica; Pesquisa;
Respeito ao educando; Corporificação das palavras pelo exemplo; Aceitação do
novo; Rejeição de qualquer forma de discriminação; Reflexão crítica sobre a
prática; Bom senso, humildade, alegria e tolerância e essencialmente
convicção de que a mudança é possível.
Nesse contexto, situa-se o Educador Social sendo o profissional
que trabalha com usuários em situação de vulnerabilidade social, os quais são
particípes de programas e projetos sociais, não sendo satisfatório apenas o
seu domínio quanto ao saber teórico ou na boa intenção. Suas ações não são unicamente pedagógicas,
mas também políticas ou ideológicas. Esse profissional deve desenvolver:
·
Um respeito real e profundo pelo ser humano;
·
Capacidade para perceber, na comunicação, os aspectos que
subjazem à palavra dita;
·
Transparência na sua forma de ser;
Diante dessas exigências ao Educador Social, é relevante citar
que esta profissão é cercada por outras profissões e especializações, as
quais têm papéis fundamentais para a complementação do atendimento de
situações que fogem do âmbito de intervenção e atribuição do educador social.
1.
COMPETÊNCIAS DO EDUCADOR SOCIAL
O
Educador Social deve apoiar a pessoa individualmente para alcançar e
satisfazer seus objetivos, bem como o exercício da cidadania. Aqui mos
refirimos à pessoa sendo (crianças, adolescentes e suas famílias). Isto
implica, por exemplo:
·
Apoiar
as pessoas em seu desenvolvimento para que elas mesmas possam desenvolver e
solucionar os seus problemas individuais ou grupais;
·
Potencializar
as habilidades de cada um, permitindo com que o mesmo decida por si mesmo;
Em
outras palavras, diríamos que o importante é empoderar a pessoa para que ela
seja capaz de entender e atuar dentro de sua comunidade, através de suas
próprias perspectivas, conhecimentos e habilidades.
Quando
mencionamos sobre as competências exigidas ao Educador Social na atualidade,
podemos caracterizar como sendo estas, uma síntese de conhecimentos,
habilidades a atitudes imprescindíveis a atuação do profissional.
Desta
forma, segundo Mezzaroba (2008), o Educador Social deve ter a
competência para intervir, refletir e avaliar.
Competência para intervir
O
Educador Social deve atuar diretamente na situação e dar uma resposta para as
necessidades e desejos das crianças e adolescentes e/ou dos adultos de forma
adequada, sem muito tempo para reflexão. Deve ter embasamento teórico e
experiência prática para tal. Essa resposta não significa resolver o problema
desencadear ações para que ele seja solucionado.
Competência para avaliar
O
Educador Social deve saber planejar, organizar e refletir com relação as suas
ações e intervenções futuras. Deve saber refletir sobre sua própria prática,
avaliando sua intenção, ação e resultado esperado;
Competência de reflexão
O
Educador Social junto à sua equipe de trabalho e outros colegas deve saber
refletir sobre os problemas de âmbito profissional para uma melhor
compreensão, favorecendo assim, o desenvolvimento da profissão nos espaços
públicos.
Sendo
assim, o trabalho do Educador Social deve promover a igualdade, o respeito
com todos os sujeitos do seu contexto, prestando a devida atenção para a
necessidade de cada um, respeitando e protegendo os direitos desses sujeitos,
a privacidade, a autonomia.
E
ainda, é importante ressaltar que o Educador Social deve utilizar-se de sua
experiência, do seu saber profissional como uma das formas para melhorar a
qualidade de vida dos sujeitos, de suas famílias e da comunidade em situação
de vulnerabilidade, na batalha contra a pobreza e na luta pela justiça
social.
1.1
ESTILOS DE EDUCADORES:
Após
a realização de uma breve reflexão sobre as competências almejadas ao
Educador Social apoiada na teorização da autora Mezzaroba, ressalta-se que
este deve sentir a necessidade de estar sintonizado com a realidade macro
e micro[1] o qual ele esteja inserido, podemos apontar
diferentes estilos de Educadores na atualidade. Segundo a autora Mezzaroba
(2008), existem quatro tipos de educadores:
a)
Educador resignado: centra-se nos aspectos pouco
estimulantes de sua profissão; queixa-se de tudo – mas pouco trabalha para
melhorar as coisas;
b)
Educador tecnicizado: excessivamente aplicador dos
recursos; rigorosamente técnico, mas desvinculado do “social”;
c)
Educador conformista: mero executor de suas atividades;
sem excessivas esperanças e sem graves decepções;
d)
Educador crítico: “realista”, porém não estranho à
uma atitude proativa; otimizador; apóia alternativas inovadoras de melhora;
destaca-se por sua atitude construtiva e otimista; sempre olha para frente;
capta os desajustes e contribui para melhora do seu trabalho;
Diante
do exposto, é momento de autoavaliação, de nos depararmos e refletirmos se
realmente, em nossa prática, agimos como verdadeiros Educadores Sociais,
comprometidos com a nossa profissão e se efetivamente temos feito diferença
na vida dos usuários à quem atendemos.
2. EDUCADOR SOCIAL X FAMÍLIA: REFLETINDO SOBRE SEUS PAPÉIS
Diante do que já foi abordado, chegamos ao ponto de refletirmos
sobre qual é o nosso papel enquanto Educadores Sociais e até onde
estabelecermos nosso envolvimento profissional e pessoal, nas adversas
situações que enfrentamos em nosso cotidiano.
Sabe-se que o Educador Social é o profissional que tem um olhar
diferenciado ante as circunstâncias que lhe são apresentadas, é o
profissional que tem sensibilidade social. Mas é nesse âmbito
que precisamos ter clareza de que Educador Social e Família
possuem papéis diferentes de um modo geral, embora os dois tenham como
finalidade em comum o dever de contribuir na educação das crianças e
adolescentes.
Porém,
muitas vezes o próprio Educador Social não consegue distinguir a sua ação e
tomada de postura, diferenciando o nível profissional do pessoal, o que acaba
sendo negativo, na construção do processo de autonomia, emancipação e
cidadania, das crianças, adolescentes e famílias envolvidas.
É
importante salientar também que Educador Social e Família têm significações,
representações e contribuições diferentes na vida do educando, partindo de
que a relação de educando - educador não pode substituir, por exemplo, a
relação pai-filho, mãe-filho, ou seja, ocupar um espaço na vida do educando
que por motivos de ordem emocional, psicológica, transferem essa ausência na
família, para a figura do Educador Social.
Em relação ao papel da família na vida do educando, podemos
afirmar:
A família é a esfera íntima da existência
que une por laços consangüíneos ou por afetividade os seres humanos. [...]. É
o ambiente imediato no qual os seres humanos exercem seus papéis e que lhes provê
recursos essenciais necessários para facilitar o enfrentamento e ajustamento
a condições internas e externas que estão em constante mudança (PELZER, 1998,
p. 106).
Desta maneira, afirma-se a relevância de distinção de papéis na
relação Educador Social, Educando e Família, sabendo que é na família onde se
deve originar as possibilidades de representação de papéis, na medida em que
a criança e adolescente possa reconhecer a figura do pai como tal, da mãe
como a sua mãe, e assim por diante.
Portanto, faz-se necessário que se analise e reflita sobre o
tipo de relação que o Educador Social tem com o seu educando, sabendo que uma
de suas competências é intervir para o fortalecimento, empoderamento,
promovendo emancipação e autonomia para com os usuários atendidos e em
hipótese alguma, criar vínculos de dependências nessa relação.
2.1
EMOCIONAL X PROFISSIONAL: AUTO-PROTEÇÃO DO EDUCADOR SOCIAL
Nesse item, destaca-se algumas contribuições para a
auto-proteção do Educador Social. Mas você deve estar se perguntado, Educador
Social deve se proteger de quê?
Como já abordamos anteriormente, temos em nossa prática a
difícil tarefa de lidar cotidianamente com problemas sociais e necessitamos
separar as questões profissionais que possam interferir em questões pessoais.
Para tanto, apresenta-se alguns fatores para subsídio a essa auto-proteção:
·
Características
individuais do Educador Social;
·
Apoio
afetivo;
·
Apoio
social externo (colegas, família, amigos, etc);
Também
sinaliza-se categorias ou comportamentos que segundo Mezzaroba (2008) auxiliam
para manter a Saúde Mental do Educador Social:
·
Insight
–
hábito de se fazer perguntas e dar respostas honestas;
·
Independência
–
distanciamento físico e emocional enquanto satisfaz suas próprias demandas;
·
Relacionamento
–
equilíbrio entre as próprias necessidades e a capacidade de dar/doar-se aos
outros;
Todas
essas contribuições vêm no sentido de auxiliar o Educador Social a poder
lidar com a resiliência, ou seja, a sua capacidade de superação das
adversidades; resistindo às frustrações; reagindo e podendo deixar o
sofrimento para trás e recuperar-se em prol de uma causa maior.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Acredita-se
ser de extrema relevância abordarmos sobre o perfil do Educador Social na atualidade,
em virtude das demandas sociais e exigências profissionais que são
necessárias ao Educador Social contemporâneo.
Esperou-se,
com esse breve artigo oferecer suporte teórico, para subsídio da prática dos
educadores, no sentido de provocar reflexões inerentes a temática, entre
Educadores Sociais, e suscitar muitos questionamentos e indagações em relação
à efetividade da intervenção do Educador Social, no exercício de sua
profissão, ou seja, reiterando que o papel do Educador Social não poderá confundir-se
com o papel da família no envolvimentos de situações que perpassam o
cotidiano de seu educando.
REFERENCIAL
BIBLIOGRÁFICO:
MEZZAROBA,
Solange Maria Beggiato. O papel do Educador Social: superando. desafios. Disponível
em: http://capacitacao.secj.pr.gov.br/arquivos/File/O_PAPEL_DO_EDUCADOR_SOCIAL.ppt. Acesso em: 14
set. 2008
PELZER, Marlene T. Família saudável e o processo de cuidar. In: A família que se pensa e a família que se vive. Rio
Grande: Editora da FURG, 1998.
* Assistente Social, Especialista
** Pedagoga, Especialista
Contatos: snvanessa@gmail.com ou http://vanessanogueira.wordpress.com/
[1]Quando no texto citamos “macro e micro”,
informamos da necessidade do Educador Social possuir percepção e conhecimento
da conjuntura atual a qual ele está inserido, permeada por processos
econômicos, políticos ou de exclusão social multidimensional, presentes na
sociedade moderna, seja em âmbito local, como global;
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